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#PropriedadeIntelectual #Valoração

Como devo escolher o método de valoração?

Daniel Eloi
Daniel Eloi

No artigo “Métodos de Valoração de Tecnologias” abordamos quatro métodos de valoração (baseado nos custos passados, método dos múltiplos de mercado, fluxo de caixa descontado e opções reais), apontando os benefícios e limitações de cada um deles. Concluímos o artigo defendendo os benefícios de se utilizar a metodologia de opções reais.

Desde então, tenho trabalhado em diversos projetos de valoração, o que me fez rever este posicionamento. Um primeiro ponto observado é que em algumas ocasiões o método de Opções Reais, devido à sua complexidade, se mostrava inviável tecnicamente para a equipe disponível para a valoração ou mesmo muito caro em relação à expectativa de benefício com a transferência da tecnologia. Isso mostrou que essa abordagem também tinha limitações e que não poderia ser utilizada em todos os casos.

Com essa limitação, o posicionamento que tenho apresentado é de que existem diversos métodos de valoração de tecnologias e patentes, sendo que todos eles têm suas vantagens e desvantagens, e nenhum é apropriado para todos os casos.

Critérios de escolha do método de valoração

Dito isso, e considerando que as abordagens tradicionais não são diretamente aplicáveis para contextos de licenciamento baseado em royalties sobre a receita, decidimos criar uma metodologia para guiar a seleção da abordagem mais propícia para cada contexto.

Por sua extensão, vamos dedicar um novo artigo especificamente para este tema. No entanto, adiantarei aqui a discussão dos principais fatores que direcionam a escolha da abordagem.

O primeiro critério diz respeito à forma de transferência, se essa será baseada no licenciamento ou na cessão. A resposta desse critério indicará se devemos seguir abordagens que buscam o cálculo financeiro da tecnologia ou uma taxa de royalties a ser cobrada.

O segundo aspecto diz respeito à disponibilidade de informações. Existem métodos, por exemplo, que são baseados em informações mercadológicas e que, conseguintemente, só podem ser aplicados caso essas informações estejam disponíveis. Por outro lado, há abordagens que dependem de informações de ganhos e investimentos de quem vai explorar a tecnologia. Muitas vezes essas informações não estão disponíveis para o outro lado da negociação. Assim, mesmo que se façam estimativas, é bem possível que abordagens como a de Fluxo de Caixa Descontado, Lucro Excedente ou Opções Reais, tragam valores distantes da realidade.

O terceiro aspecto está relacionado à maturidade da tecnologia. Ou seja, ainda existem riscos tecnológicos? Existem riscos mercadológicos? O impacto desses riscos é severo nos ganhos esperados do projeto? Em caso afirmativo, é possível que abordagens que consideram mais diretamente o risco e a flexibilidade gerencial sejam mais adequadas.

Finalmente, há a questão da importância do negócio para quem está valorando. Essa importância pode ser financeira ou estratégica. Obviamente, quanto maior a importância da negociação, mais interessantes se tornam as abordagens de valoração robustas. Por outro lado, abordagens ágeis, como a regra dos 25%, podem ser muito úteis em negociações com pequena importância estratégica ou financeira.

Uma outra recomendação importante na escolha do método de valoração é que mais de uma abordagem pode ser utilizada simultaneamente, especialmente para funcionar como uma validação ou segunda opinião. Se os valores de duas abordagens viáveis estiverem muito discrepantes é necessário que exista uma explicação para essa diferença - não necessariamente existe um erro na valoração, mas a diferença deve ser justificável.

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